Colocamos a última tradução do Retiro Quaresmal dos
Dominicanos de Lille que nos propusemos a fazer e partilhar durante a Quaresma,
Semana Santa e Páscoa. Traduzir é sempre um risco. Pensamos que apesar de
algumas dificuldades fomos fieis ao texto. Se uma só pessoa aproveitou já terá
valido a pena. Desejamos que tenham sido algumas mais.
A todos e principalmente aos Dominicanos de Lille a nossa
gratidão e abraço fraterno.
Fracassando, as faixas que jazem
«Vós ressuscitastes com Cristo»
Epístola de São Paulo aos Colossenses Cap 3, Vers 1
Tudo está consumado.
Consideremos esta hora confusa, momento incerto, noite e dia
hesitam, o silêncio deixa perceber o acontecimento ainda em suspenso. O sol irá
nascer, amanhecer, tudo está imóvel, parado. A pedra está rolada, o túmulo
deserto. O morto não está lá. A morte não está aqui. A morte já não existe! Um
vazio.
A palavra pode ser acorrentada? O verbo aprisionado? A carne
aniquilada? A palavra pode estar silenciada, mas não morta. Ela pode ser
negada, distorcida, amordaçada, mas ela continua o seu caminho. Não situemos
esta negação apenas à escala de uma nação ou de um povo; mas cada vez que,
mesmo entre irmãos, uma palavra não é escutada. Quando é enterrada viva.
Atentar contra ela faz-se pelo silêncio quando é recusada ou desprezada, ou
também pelo barulho é asfixiada ou anátema.
Mausoléu falador ou cenotáfio mudo? Mas a palavra mesmo esfacelada não
pode calar-se. A carne mesmo triturada continua a amar. A vida mesmo esgotada
prossegue o seu destino.
A morte está morta. Livre, o vivo permanece o que quer que
lhe aconteça. A vida não se extingue, os vivos não morrem, os outros já o são.
A palavra não cessa de falar, o amor não deixa de amar, o dom não para de se
dar na carne e no sangue.
Nós estamos configurados a Cristo, na sua dádiva absoluta,
pela nossa carne imolada pelo mundo; na sua paixão, pela nossa vida entregue¸ na
sua ressurreição, já erguidos com Ele. Nós existimos ressuscitados, despertos,
livres entre os mortos, desacorrentados… Somos tornados imortais, esperados na
sala das núpcias: é a promessa ao ladrão. «O filho de Deus morreu: é credível
pois é absurdo. Enterrado, ele ressuscita: está certo pois é impossível.» diz
Tertuliano no século II. A nossa fé, a nossa vida em Deus, a ressurreição de
Cristo atesta que estamos ressuscitados. Habitamos de hoje em diante uma carne
completa, incorruptível, exactamente a mesma de Deus. Aleluia

3 comentários:
Aleluia!!
Agradecida pelo teu trabalho constante em traduções difíceis de textos densos de sentido e ricos de significado e o número de leituras no facebook demonstram que a semente caíu à terra.
Ressuscitou como disse e nós com Ele...
Aleluia!Aleluia!Aleluia!
Não tens que agradecer. Ninguém tem a não ser eu. Como já te disse se não fizesse a tradução talvez não os lesse todos. É uma forma de me obrigar a lê-los e entende-los melhor.
Beijos a todos
Obrigada por todo o teu trabalho, Ana. Embora leia francês,é sempre mais fácil a língua materna, sobretudo para uma leitura meditada, e foram sobretudo estas meditações que me trouxeram à net nos últimos tempos. Bem hajas! Bjnh.
Santa Páscoa!
ALELUIA!
Lila
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