Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Oração de Todas as Horas

Agora,
que eu já não sei andar nas trevas,
não me roubes a Tua Mão, Senhor,
por piedade!
Voltar às trevas não sei,
e sem a Tua Mão não poderei
dar um só passo em tanta Claridade.

Pelas Tuas feridas minhas, pelas tristezas
de Tua Mãe, Jesus.
não me deixes, no meio desta Luz,
de pernas presas...

Não me deixes ficar
com o Caminho todo iluminado
e eu parado e tão cansado
como se fosse a andar ...

Sebastião da Gama

Primeiro Encontro de Estudantes Universitários

Primeiro Encontro de Estudantes Universitários

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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Olá!


Sou um desnaturado, lol. Peço desculpas pelas minhas ausências mas tenho pouco tempo para vir aqui e vai passando, vai passando e pronto. Quero dizer que estou bem, muito activo e feliz. A minha vida amorosa com a Paula vai resistindo às tempestades e vai ficando mais forte, a minha vida profissional está bem melhor também, apesar disso não resultar ainda num ordenado melhor lol. O Fé e Luz de Évora também continua muito bem de saúde, fechámos as actividades em grande neste Sábado e já andamos a organizar o campo de férias que vai ser em S. Pedro do Sul (Estivémos lá ontem a fazer reconhecimento). Escrevi o seguinte texto para lermos em acção de Graças na missa, aqui o deixo para vocês. Um abraço fraterno para todos!

Senhor, gosto da maneira como Tu te manifestas no mundo, a Tua acção transborda no nosso coração, quanto mais avançamos na compreensão do Deus a que aprendemos a chamar Pai, mais transborda o nosso interior. A verdade é que gostamos de Ti mesmo que não Te reconheçamos, mesmo o mais ateu Te compreende à sua maneira, reconhece-Te sem saber quem és, apenas sabe que lhe aqueces o coração. Senhor és a vida na sua essência mais profunda, és o leve sopro dado por amor, és a coisa mais humilde, mais sublime, mais doce. Poderemos aprender mais de Ti se tivermos mais atentos aos nossos gestos e aos dos outros no dia a dia, sobretudo os gestos de amor.

Quando há encontro entre dois seres que conseguem realizar uma ponte afectiva de qualquer espécie aí poderemos compreender um pouco mais do Teu mistério, é a Tua mais sublime centelha que nasce no nosso interior, nesse momento. De cada vez que construímos laços com o outro, estamos a reconhecer dentro de nós o amor, num sentido mais abrangente.

Hoje Senhor damos-te graças e louvores porque estiveste na nossa barca, não nos abandonaste nas dificuldades e estiveste sempre presente de cada vez que festejámos a nossa amizade. Obrigado senhor por mais este ano de Fé e Luz que chega agora ao fim! Obrigado Senhor porque em cada encontro e em cada sorriso oferecido te fizeste presente no nosso coração, ajudando-nos a subir mais para Ti.

Obrigado Senhor, porque num mundo onde nem sempre é fácil viver e onde ainda se cultiva tanto ódio e desrespeito pelos mais fraco, Tu fizeste-te fraco connosco, não nos abandonastes e ajudaste-nos a descobrir a Tua presença na amizade Fé e Luz. Obrigado Senhor, porque em cada encontro descobrimos que somos especiais, que temos dons e que a nossa vida não é algo dispensável.

Obrigado Senhor porque nos ajudaste a crescer no amor e a dar mais de nós aos outros, e, desta forma, descobrimos que é bom dar, porque para dar é preciso ter. Fizeste-nos sentir especiais, descobrimos que temos dons em nós e que a nossa vida é bonita, nós somos bonitos porque Tu nos amas e nos ofereces os dons do teu amor.

Obrigado Senhor, porque neste ano, aprendemos mais um bocadinho a perdoar os outros e a dar-lhes vida com o nosso perdão. Afinal todos precisamos de nos sentirmos perdoados porque todos somos fracos e todos erramos nesta busca de felicidade.

Por tudo isto, não nos cansamos de agradecer, alimentaste a nossa amizade e a nossa comunidade e, assim juntos, descobrimos que a vida é mais fácil se vivermos em comunidade, porque as dores são menos penosas e as alegrias tornam-se gigantes.

Obrigado Pai, olha sempre por nós e ajuda-nos sempre a crescer mais um bocadinho para Ti!


Fé e Luz
Évora, Julho de 2009

Domingo, 12 de Julho de 2009

XV Domingo do Tempo Comum


Evangelho segundo S. Marcos 6,7-13.

Chamou os Doze, começou a enviá-los dois a dois e deu-lhes poder sobre os espíritos malignos. Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado: nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto; que fossem calçados com sandálias e não levassem duas túnicas. E disse-lhes também: «Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos numa localidade, se os seus habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles.» Eles partiram e pregavam o arrependimento, expulsavam numerosos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos.

ENVIOU-OS DOIS A DOIS...

Porque não é bom para o homem estar só (Genesis 2:18)...nem que seja para evangelizar...estar sempre em comunhão...

A comunhão que apela à renúncia do individualismo,à renúncia da satisfação pessoal pelo êxitos da pregação,pelo bem alcançado.

A comunhão que faz gerir de forma salutar os dons,os recursos,os afectos e alegrias e também as magoas e desânimos.

Sábado, 11 de Julho de 2009

macacos especiais??? Ná......


Em busca de sentido P Anselmo Borges


Há hoje uma forte corrente científico-filosófica para a qual entre o Homem e os outros animais a diferença é apenas de grau. Continuo a pensar que ela é qualitativa.

Como mostrou o filósofo Pedro Laín Entralgo, a via mais adequada de acesso à comparação entre o Homem e o animal é a conduta humana observável.

Entre todos os seres da Terra, só o Homem é livre - Kant sugeriu que a liberdade é o divino em nós -, e, assim, responsável e moral, só ele tem a capacidade de razão abstracta, de autoposse, só ele se sabe sujeito de obrigações para lá das instâncias meramente instintivas, só ele pode sorrir, só ele é animal simbólico e simbolizante, só ele é capaz de amor de doação, o animal também sabe, mas só o Homem sabe que sabe, só ele é capaz de autoconsciência, de linguagem duplamente articulada, de sentido do passado e do futuro, de promessas, de criação e contemplação da beleza, de descida à sua intimidade e subjectividade pessoal, só ele sabe que é mortal e gasta tempo com os mortos e espera para lá da morte, só ele pergunta e fá-lo ilimitadamente, só ele cria instituições jurídicas e compõe música, só ele tem de confrontar-se com a questão da transcendência e do Infinito...

Evidentemente, as investigações etológicas, bioquímicas, da genética e das neurociências constituem hoje talvez o maior desafio alguma vez lançado a uma concepção verdadeiramente humanista, por causa da tentação de reduzir o humano a uma explicação no quadro exclusivo do zoológico e bioquímico. De qualquer forma, ao ser humano reflexivo impor-se-á sempre a subjectividade própria, pois a ciência objectiva só existe para e a partir do sujeito. Por mais que objective de si, o sujeito humano deparará sempre com o inobjectivável, já que a condição de possibilidade de objectivar é ele mesmo enquanto sujeito irredutível. O Homem enquanto sujeito transcenderá continuamente a explicação das ciências objectivantes. Aliás, sem esta diferença essencial, o Homem não poderia exigir respeito e reconhecimento pela sua dignidade.
Outra característica sua essencial é a busca de sentido. Enquanto os outros animais aparecem praticamente feitos, o Homem nasce prematuro, por fazer, e tem de fazer-se. Daí a pergunta: fazer-se como e para quê, com que meta e objectivo?
Dizemos que algo não tem sentido - uma frase, ou discurso, por exemplo -, quando os seus elementos surgem sem organização, sem fio condutor. O sentido tem, pois, a ver com uma totalidade harmónica, com significado.

Recentemente, os jornais faziam-se eco da preocupação das autoridades inglesas porque uma percentagem elevada de jovens (10%) se queixa do vazio existencial, sentindo a vida como insignificante e não valendo a pena. Investigadores sociais e psiquiatras não têm dúvidas de que o vazio e a frustração existencial são uma das causas maiores dos desequilíbrios do Homem contemporâneo. Não faltam investigações científicas que mostram que a carência de sentido está frequentemente na base da dependência da droga, do alcoolismo, da criminalidade, do suicídio. Outras investigações chegam à mesma conclusão pela positiva: há, por exemplo, conexão entre a prática de uma religião e o sentimento de felicidade e uma vida mais longa. Entre as razões para essa ligação está precisamente o facto de a dimensão espiritual ajudar a fixar um sentido para a existência: quem vive e vê a sua vida integrada numa totalidade com sentido e sentido último resiste mais e melhor também em termos físicos e mentais.

O Homem é por natureza o ser da transcendência: nunca se contenta com o dado e está sempre para lá de si e de toda a meta alcançada. Vive inclusivamente um desnível insuperável entre o que faz e realiza e a aspiração inesgotável a realizar-se sempre mais. Vai, portanto, caminhando de sentido em sentido, mas só encontraria satisfação total no Bem Sumo enquanto sentido de todos os sentidos, isto é, o sentido último e global. Aí está a razão por que não pode deixar de pôr a questão de Deus, independentemente da resposta que lhe dê, pois ela é intrínseca ao dinamismo do ser Homem.
IN DN

S.Bento disse


Procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo ao qual dirige estas palavras,diz ainda: Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias? (Sl33,13).


E se tu, ao ouvires este convite, responderes: Eu, dir-te-á Deus: Se queres
possuir a verdadeira e perpétua vida, afasta a tua língua da maldade, e teus lábios, de palavras mentirosas.
Evita o mal e faze o bem, procura a paz e vai com ela em seu
caminho (Sl 33,14-15). E quando fizeres isto, então meus olhos estarão sobre ti e meus ouvidos atentos às tuas preces; e antes mesmo que me invoques, eu te direi: Eis-me aqui (Is 58,9).

E que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor que nos convida? Vede como o Senhor, na sua bondade, nos mostra o caminho da vida! Cingidos, pois, os nossos rins com a fé e a prática das boas ações, guiados pelo evangelho, trilhemos os seus caminhos, a fim de merecermos ver aquele que nos chama a seu reino (cf. 1Ts 2,12).

Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse
reino, é preciso correr pelo caminho das boas ações; de outra forma, nunca chegaremos lá. Assim como há um zelo mau de amargura, que afasta de Deus e conduz ao inferno, assim também há um zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus. É este zelo que os monges devem pôr em prática com amor ferventíssimo, isto é, antecipem-se uns aos outros em atenções recíprocas (cf. Rm 12,10).

Tolerem pacientissimamente as suas
fraquezas, físicas ou morais; rivalizem em prestar mútua obediência; ninguém procure o que julga útil para si, mas sobretudo o que o é para o outro; ponham em ação castamente a caridade fraterna; temam a Deus com amor; amem o seu abade com sincera e humilde caridade; nada absolutamente prefiram a Cristo; e que ele nos conduza todos juntos para a vida eterna.

S.Bento Abade


SÃO BENTO, ABADE
Memória


Nasceu em Núrcia, na Úmbria (Itália), por volta do ano 480; estudou em Roma; começou a praticar vida
Eremítica em Subiaco, onde reuniu um grupo de discípulos, indo mais tarde para Montecassino. Aí
Fundou um célebre mosteiro e escreveu a Regra que, difundida em muitos países, lhe valeu o título de
patriarcado monaquismo do Ocidente. Morreu a 21 de março de 547. Contudo, desde fins do século VI,
sua memória começou a ser celebrada em muitas regiões no dia de hoje.
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Ofício das Leituras
V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino

Entre as coroas dadas pelo alto,
cujo louvor celebra o nosso canto
glorioso brilhas por merecer tanto,
grande São Bento!

Ainda jovem, te orna a santidade,
do mundo o gozo nada te roubou,
murcha a teus olhos deste mundo a flor,
olhas o alto.

Pátria e família deixas pela fuga,
e na floresta buscas teu sustento.
Ali rediges belo ensinamento
de vida santa.

Obediência à lei de Cristo ensinas
aos reis e povos, tudo o que lhe agrada.
Por tua prece, a nossa tenha entrada
aos bens do céu.

Glória a Deus Pai e ao Filho Unigênito,
e ao Santo Espírito honra e adoração.
Graças a ele, fulge o teu clarão
no céu. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Quem quiser ser o primeiro,
seja o servo, seja o último. Aleluia.

Do oficio de leituras de hoje

Há um aspecto típico da sua espiritualidade, que hoje gostaria de realçar de modo especial. Bento não fundou uma instituição monástica finalizada principalmente à evangelização dos povos bárbaros, como outros grandes monges missionários da época, mas indicou aos seus seguidores como finalidade fundamental, aliás única da existência, a busca de Deus: "Quaerere Deum". Mas ele sabia que quando o crente entra em relação profunda com Deus não pode contentar-se com viver de maneira medíocre seguindo uma ética minimalista e uma religiosidade superficial. Nesta luz, compreende-se então melhor a expressão que Bento tirou de São Cipriano e que sintetiza na sua Regra (IV, 21) o programa de vida dos monges: "Nihil amori Christi praeponere", "Nada antepor ao amor de Cristo". Consiste nisto a santidade, proposta válida para cada cristão que se tornou uma verdadeira urgência pastoral nesta nossa época na qual se sente a necessidade de ancorar a vida e a história em referências espirituais firmes.

Bento XVI