*** Sanctus...Sanctus...Sanctus *** E é importante apoiar-se numa comunidade ,mesmo que seja virtual,porque entre aqueles e aquelas que a compõem,encontram-se os que estão nos tempos em que o dia vai ganhando, pouco a pouco, à noite. Irm.Silencio

quarta-feira, 26 de março de 2014

Retiro 21

Retiro quaresmal dos Dominicanos de Lille para o dia 26 de Março.



Quando as nossas nascentes estão atoladas



A mulher diz-lhe:”Senhor,dá-me desta água para que eu não tenha mais sede,nem que tenha que vir mais tirar água ao poço.Jesus diz-lhe:”Vai,chama o teu marido e vem”.A mulher responde-lhe :”Não tenho marido”
Evangelho de João capitulo 4, versículos 15 e 16. 

Já ouviram falar de uma água que se torna em vós fonte de água borbulhante?  Que faria  empalidecer todos os que se dedicam à comercialização de água mineral !

“Dá-me desta água”, uma tal maravilha a samaritana bem gostaria de a ter para solucionar os seus problemas de sede e da estopada de vir buscar água.Mas é na verdade de uma água mágica de que fala Jesus? Ele que sonda os corações e os rins (*) não fica à superfície das nossas necessidades quotidianas.

Daí o seu surpreendente pedido :” Vai, chama o teu marido e vem”. Quereria ele humilhar esta mulher mesmo ali onde estava o seu sofrimento ? Não. Mas,como um feiticeiro,Jesus sabe que ali onde se entrevê a lama pode estar escondida uma nascente. Tocando esta lama, procura a nascente escondida que foi depositada em todo o ser humano.

“ Não,não tenho marido”. Eis a verdadeira palavra esperada por Jesus , uma palavra que liberta, Pela verdade da sua resposta, que é como uma vaga de água pura, a que dialoga com Jesus afastou a lama que obstruía a nascente do seu coração.

Mulher de desejo,5 maridos e um companheiro não puderam saciar a tua sede ,não puderam senão atolar a nascente do teu desejo.Volta à única fonte de amor, Deus Pai que te criou, hoje quer fazer-te  renascer da água e do Espírito. (**)

Hoje, Jesus propõe-nos também a nós a água viva.Propõe-nos entre mais no sacramento da reconciliação.Porque não vamos com Ele revisitar os lugares lamacentos do nosso coração? Não temos connosco a segurança de encontrarmos em nós uma nascente borbulhante?



Irmã Teresa e as suas irmãs



* Salmo 7,versículo 10

**      Evangelho segundo S.João capítulo 3, versículo 5      



Traduzido por MJB a pedido de AL

2 comentários:

um irmão. disse...

Na lama e nas profundezas mais inacessíveis ao olhar humano escondem-se verdadeiras pérolas!

Sinto por vezes que vamos repetindo um “caminho de Quaresma” mais centrados em reflexões repetitivas sobre o MAL o que é um facto em nós, isso é indesmentível, todos o experimentamos na nossa natureza fragilizada … todos sabemos o que isso significa, mas que assumido sem algum equilíbrio espiritual… carregando em doses excessivas o peso desse barro em nós, pode tornar-se fracturante e gerador de paralisias e recuos no Caminho que é também preciso abrir ao BEM que existe em nós…( afina, não somos todos imagem e semelhança do Pai…!

Parece-me que as nossas “quaresmas” pessoais e comunitárias estão a precisar vitalmente que tomemos também outras posturas exteriores e interiores diferentes como por exemplo a daquele Pai do Filho pródigo, que, ao invés de centrar-se no mal que era uma realidade no filho, centrou-se mais no silêncio, no acolhimento e no abraço… que podem ser e são de facto nos dias de hoje, caminhos mais urgentes e vitais para todos conseguirmos, (TODOS) chegarmos à Pascoa, aquela “Páscoa” que também é significado daquela festa em honra do filho que estava perdido e foi salvo…, ao invés de ficar paralisado a “meditar” no mal que ainda fazia parte da condição do filho… mesmo voltando a casa arrependido (todos somos feitos desse mesmo barro pródigo..!)

Desculpem o “desabafo”, (talvez a enfermidade do momento não me deixe discernir claramente…!) mas é que assusta-me o tom e as cores que andamos todos ainda a imprimir ao longo destes anos nas nossas paragens espirituais como o são estes tempos quaresmais também…! (… a maior parte dos retiros, que até são muito bons, “pecam” e não é pouco, nessa dimensão, ao acentuarem mais a dinâmica da CULPA e do PECADO..!)…

Nele, em quem a sua única pergunta foi e é ainda hoje: tu, amas-Me?

Ana Loura disse...

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