Curar as minhas feridas
Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão.
Evangelho segundo São Lucas Cap 10, Vers 33
Debato-me no meu combate. Nas minhas feridas, grito o meu sofrimento. A minha vida é um deserto onde tudo o que é superficial me aparece. Encontro-me face-a-face comigo mesmo, com a minha história, a minha vida real com as suas sombras, a sensação de estar na berma do caminho, com a cabeça pousada numa pedra, por terra. Como o homem da parábola, ferido e abatido, lançado meio morto na valeta, entre Jerusalém e Jericó. Mas o meu bom Samaritano, eu sei quem é, eu reconheço-o, és tu, Jesus.
A minha dor, tu ouve-la. E amorosamente, tu dizes-me: «O que queres que eu faça por ti?» As tuas palavras já me consolam. De todo o meu ser magoado, preparado para confiar, respondo. Como o profeta Oseias, a minha carne grita: «Sara as minhas feridas, cura-me» (Cap6, Vers1). Arranca-me de todos os ídolos que eu forjei para mim.
Como Oseias, o meu espírito espera: «Dar-nos-á de novo a vida em dois dias; ao terceiro dia levantar-nos-á, e viveremos sua presença» (Oséias Cap 6, Vers2).
Jesus, como o bom Samaritano tomado de piedade, vens cuidar das minhas feridas, derramas o vinho que purifica e o óleo do perdão. Conduzes-me ao albergue do repouso e da cura. E eu, como o homem ferido, deixo-me tratar. No meu leito de sofrimento, o meu coração apazigua-se, disponível, pode agora acolher a tua salvação. Teu amor e a Tua complacência devolvem-me a força.
Meu salvador! Levas contigo a minha ferida. Tu ergues-me para que eu retome a vida. Porque, tu também Jesus, te ergueste da morte.

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