Dá-me a alegria da salvação
«Que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja perfeita»
Evangelho segundo São João, Capítulo 15, Versículo 11
Ele poderia ter uma consciência pesada, o Rei David. Ele
tinha feito um filho na mulher de um dos seus generais que estava em campanha,
depois tinha arquitectado a sua morte em combate. Provavelmente não teremos um
tal peso nas nossas consciências mas actos, pensamentos, recordações pesadas,
segredos, enterrados, mantendo o remorso lancinante da culpabilidade.
Ajudado pelo profecta Natã, David toma consciência dos seus
erros e escreve então o esplêndido salmo 50. Com lucidez, ele reconhece «sim,
eu reconheço o meu pecado…e fiz o mal diante dos vossos olhos». Longe de
lamechices, as confissões degradantes, longe da complacência para com os seus
actos, as tentativas de justificação ou de explicação, ele apresenta-se ao amor
de Deus. Indo para além de um choramingado pedido de perdão, ele ousa a fé na
misericórdia: «dá-me a alegria da salvação» (Salmo 50 ver 14)
O perdão de Cristo desencoraja as lágrimas e abre à alegria
da salvação.
Prisioneiro dos meus erros, ousar pedir a alegria. Crer que
apenas o perdão me dá a felicidade.
A alegria ignora os entraves do meu medo, dá claridade ao que
o meu pecado tinha escurecido. Restabelecendo a dignidade e força para
continuar de outra forma, a alegria põe fim à prisão do olhar sobre a minha
fraqueza. Ela oferece a liberdade de um novo caminho.
«O teu irmão que estava perdido foi agora encontrado, é
preciso festejar e regozijar-nos» afirma o pai do filho pródigo (Evangelho
segundo São Lucas capítulo 15, versículo 32)
-Que queres tu que eu faça por ti? Diz o Senhor.
- Dá-me a audácia de te pedir a alegria da salvação.

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