*** Sanctus...Sanctus...Sanctus *** E é importante apoiar-se numa comunidade ,mesmo que seja virtual,porque entre aqueles e aquelas que a compõem,encontram-se os que estão nos tempos em que o dia vai ganhando, pouco a pouco, à noite. Irm.Silencio

domingo, 3 de março de 2013

Retiro quaresmal do Dominicanos de Lille (tradução) do dia 03 de Março


Deus no desvio

Moisés disse: «Vou desviar-me para ver esta grande visão: por que razão não se consome a sarça?»

Livro do Êxodo, Capítulo3, Versículo3

Uma manhã como outra. Moisés conduz, como habitualmente, o seu rebanho pela montanha. E ali, o Senhor vem nos sacudir, abanar! Do meio de um arbusto, uma chama arde sem o consumir. Este arbusto em chamas, é Deus. «Moisés, Moisés, não te aproximes pois este lugar é santo.» Curioso convite o de não nos aproximarmos! Então, para se aproximar sem se aproximar demasiado, Moisés faz um desvio. Ouve então Deus dizer-lhe que viu a miséria do seu povo, que conhece as suas angústias e que o envia a liberta-lo. Que safanão! Deus arde, queima, ao fazer descobrir que está próximo! Será que Moisés poderia imaginar isso? Por mais distante que Deus possa parecer, o episódio da sarça-ardente revela um Deus que, no desvio, deixa que nos aproximemos para dar resposta às esperanças do homem.

Com Jesus, Deus une-se a nós. Ele não faz senão aproximar-se. Ele fez-se carne. Ele assumiu a nossa carne. Mas nós, queremos, ou podemos aproximar-nos d’Ele? Os evangelistas revelam-nos muitas formas de nos aproximarmos de Jesus. Podemos seguir o dedo de alguém que no lO mostra, ou puxar por trás pela franja do seu manto. Podemos misturar-nos com a multidão que o sufoca ou subir a uma árvore esperando que passe…

Podemos chamar, dizermos do nosso medo face aos acontecimentos incontroláveis, gritar os nossos pedidos de forma a perturbarmos os outros…mas podemos também contempla-lo, sentarmo nos para escutar a sua Palavra. Podemos deixar que nos lave os pés, e partilhar a sua refeição.

Jesus deixa que nos aproximemos dele mal nos deixemos desviar dos nossos hábitos. Sacudamos as nossas ideias recebidas para deixar surgir uma chama, no desvio de uma situação mesmo banal. «Que queres que faça por ti?» poderia então surgir como revelador. Jesus está nas nossas vidas como que aninhado num arbusto para nos interpelar: «não prossigas o teu caminho como se eu não estivesse contigo!» Jesus espera de nós que esperemos, pela nossa vez, alguma coisa dele; ele convida-nos a confiar as nossas esperanças e as nossas expectativas nele, O Filho. Aproximar Jesus, é portanto ousar escutar os nossos mais profundos desejos, as nossas fraquezas e confiar-lhos.

«Que queres tu que eu faça por ti?», o cego responde: «Senhor, que eu veja!» O paralítico poderia igualmente gritar; «Senhor, que eu ande!»; o surdo: «Senhor, que eu ouça!»; e o mudo: «Senhor que eu fale!» E eu, que vou eu responder-Lhe?

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