Palavras duras como pedras
«se alguém guardar a minha palavra, não morrerá jamais».
Evangelho segundo São João, capítulo 8, versículo 51
Como pode ele dizer isso? Está a brincar com as palavras? Certamente,
pois todas as palavras têm vários sentidos. Apercebemo-nos disso nas conversas
mais banais. Mas então como desencriptar o sentido das palavras de Jesus? O
sentido delas vem do Pai, responde ele: «Eu conheço-o e guardo a Sua palavra»
(Evangelho segundo São João capítulo 8, versículo 55). Com as palavras da sua língua
materna, Jesus anuncia a palavras ouvida no seio do Pai. Revela-se assim no seu
mistério: este homem que debate com os judeus não é senão o Filho, a Palavra de
Deus viva e verdadeira
Esta revelação culmina pela famosa proclamação: «Antes que
Abraão existisse, eu sou» (Evangelho segundo São João capítulo 8, versículo 58).
Jesus brinca ainda com as palavras? Depois de ter negado a morte, eis que nega
os quinze séculos que o separam de Abraão. Desta vez é que é.
Que Abraão tenha esperado ver o Dia do Filho do homem, ainda
vá que não vá, mas pretender que ele o tenha verdadeiramente visto…No entanto
ele viu nascer o filho que já não esperava. No entanto, foi pelo seu filho
Isaac que a promessa e a aliança foram cumpridas. E no final, foi exactamente
Jesus quem completou ambas para a salvação de todos os povos. Com os olhos da
fé, Abraão viu-a e se alegrou
Deus começou a manifestar o seu amor em preparações muito
distantes. Vamos compreende-lo quando se der até ao fim na pessoa do Filho,
este Jesus que perseguem agora com pedras e que se escapa como um ladrão. Porém,
eis que ao fugir do Templo encontra um cego de nascença, e leva-lhe a luz, mais
uma vez.

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