Exame de consciência: Tarzan, culpado ou chamado à salvação?
«Amais a sinceridade de coração e fazeis-me conhecer a sabedoria no íntimo da alma.»
Salmo 50, versículo 8Do fundo da sua miséria o filho pródigo relê a sua história. Olha-se no espelho interior da sua consciência, posto rudemente à prova. Passamos por este exercício de lucidez com mais ou menos felicidade!
Por vezes procuro o bom cristão, o filho ideal, o pai atento, o cônjuge perfeito, o trabalhador consciencioso, o amigo indefectível, breve: o Tarzan que eu gostaria de ser. Perscruto no espelho o sonho daquele que já não sou. O orgulho ferido submerge-me numa decepção amarga. Se eu fosse perfeito, precisaria de ser salvo?
Ou, acontece-me contentar-me com o olhar escrupuloso das minhas fraquezas, autoacusando-me e depois autocondenando-me. Fecho-me então numa culpabilidade que me exclui da misericórdia de Cristo e do Seu perdão
Outras vezes, enfim, chego a olhar-me em verdade neste espelho, nem melhor, nem pior do que sou. É esse filho que Jesus vem salvar. É a ovelha que estava perdida que ele vem salvar. Nada é impossível para Cristo, sobretudo o perdão! Porque me reconheço doente ele vem curar-me
«Eu pequei contra o céu e contra ti» (Evangelho segundo S Lucas cap 15, vers 21). O filho rebelde aceita a realidade dos seus erros, ele pode enfim erguer-se, levantar-se e pôr-se a caminho ao encontro do perdão do pai. O olhar humilde sobre mim mesmo, voltando para Cristo, oferece a possibilidade da salvação. Esta lucidez simples torna-o perdoável aos seus olhos, ela abre os braços do Pai que acolhe ternamente a chegada do filho transviado.

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