Regresso ou avanço do filho pródigo?
«Vou ter com o meu pai e digo-lhe…»
Evangelho segundo São Lucas, capítulo 11, versículo18
O Evangelho deste Domingo é muitas vezes chamado «o regresso
do filho pródigo». Trata-se de voltar, de voltar atrás no tempo, de regressar à
estaca zero do pecado? Ou melhor, um avanço, para recuperar uma alma branca e
pura?
Quando este filho gastador toma duramente consciência do seu
erro, ele não pensa «vou voltar a casa do meu pai» como se esperasse voltar
atrás, reencontrar uma felicidade desaparecida e passada. Ele pelo contrário
diz: «eu vou» E esta abordagem projecta-o num futuro possível.
Que boa oportunidade que é este tempo de Quaresma que faz
sair de nós mesmos para avançar para a ressurreição!
Abraão era feliz nas terras onde apascentava o seu rebanho.
A Bíblia diz mesmo que ele era muito rico em gado, em dinheiro e em ouro. No
entanto, o Senhor convidou-o a que deixasse a sua terra e promete-lhe uma terra
nova. Hoje, é-me anunciada uma nova terra.
Os Judeus sofriam sob a escravatura do Faraó. Pela boca de
Moisés, Deus convida-o à saída do Egípto. Quando parece que o Mar vermelho os
vai parar, a questão que se coloca não é recuar, mas avançar. Deus abre as
ondas para que o Seu povo passe. Se mares obstroem hoje o meu caminho, Cristo
está aqui para traçar um novo itinerário.
A parábola do filho pródigo oferece ao longo desta semana o convite a pormo-nos a caminho. É a ocasião de refletir sobre o nosso processo de reconciliação e sobre o perdão que salva. A complacência na culpabilidade enterra num erro que já não poderei apagar. Eu corro o risco de me fechar no cemitério das minhas fraquezas e dos meus pecados. Como imaginar um regresso? A busca do perdão faz avançar, senão, não passa de uma lista ou um inventário mais ou menos difícil das minhas fraquezas, e não irei muito longe. A procura do perdão orienta para o amanhã, abre para o melhor. Deve pôr-me a caminho. «Amarás o próximo como a ti mesmo» (Evangelho de São Lucas, capítulo 10, Versículo 27). Não poderá haver reconciliação com aquele que magoei se eu não me reconciliei previamente comigo próprio. Como esperar ser amado por outro se eu não me amo a mim próprio? Como olhar a salvação que nos oferece Jesus se não me considero digno de salvação?
Longe da satisfação egocêntrica, a aceitação do que sou permite-me de sair do
meu buraco. Como esse filho gastador da parábola: levantar-me, e avançar na
direcção deste Pai que apenas pode oferecer a novidade do perdão. Como o filho
pródigo: pôr-me a caminho rumo a outro horizonte.
De pé! Em frente!
«Vou ter com o meu pai e digo-lhe…»

1 comentário:
Anita... todos levamos em nós um "filho pródigo" meio escondido no coração há espera de abraçar e ser abraçado pelo Pai...
Santa semana... e grato pelo tesouro... este ano está a ser muito forte...
Enviar um comentário