A queda no abismo, as pedras clamarão
«Cristo esvaziou-se de si mesmo fazendo-se verdadeiramente
escravo, tornando-se semelhante aos humanos»
Carta aos Philipenses, cap 2, vers 7
Não se trata de reviver mas de viver.
A Semana Santa não é uma comemoração mais ou menos sensível
de acontecimentos do passado que nos é preciso reviver com emoção.
A lembrança da Paixão de Jesus não tem por objectivo
fazer-nos apiedar do horror do seu suplício, nem de nos fazer lamentar dos
nossos pecados, responsáveis pela sua crucificação. A palavra de Deus é para ti agora. Ela diz-te
respeito, fala de ti, do que concretamente vives com Deus neste mundo.
A liturgia destes Dias Santos, a Palavra de Deus, estão aí
para servir a tua própria vida.
Jesus, Filho de Deus, imagem de modelo, é o caminho, a
verdade e a vida.
Nós, configurados a ele, vivamos o que ele viveu.
A cruz é uma realidade da existência do que caminha com
Deus.
A nossa paixão pode parecer pálida comparada com a de Jesus,
menos dramática, mas ela não é menos real, da mesma maneira que a nossa
ressurreição.
Leremos no Domingo de Ramos e na Sexta-feira Santa o fim
trágico de Cristo. Mas a sua Paixão começa muito antes, ela é de sempre. A
nossa do mesmo modo. Críticas, oposições, desprezo, incompreensões, ameaças,
assédios, abusos…
Não estaremos também no dom total da nossa vida, corpo e sangue?
Não estaremos também no dom total da nossa vida, corpo e sangue?
A nossa verdadeira e profunda emoção vem sobretudo da graça
que nos é feita: as mãos estendidas, a palavra ao ladrão, a revelação absoluta
do amor incondicional. A nossa compaixão tem também a sua fonte no que
reconhecemos nEle: vendido, insultado, preso, espancado, despido, o coração
trespassado, humilhado, deixado pelos que, segundo diziam, eram seus amigos.
Mesmo se somos legitimamente abalados por estes relatos que
nos contam o falso processo, o suplício, a agonia de Jesus, não podemos separar
estes textos dos que os seguem e anunciam a ressurreição.
Se na nossa própria paixão, Jesus nos ensina o caminho
inevitável do sacrifício, assegura-nos que a victória já foi conseguida. E a
sua ressurreição nos mostra que a vida é-lhe importante e está ganha sempre,
tanto para nós como para ele.
Esta paixão não é uma complacência pelo sofrimento ou
o estado da vítima, bem pelo contrário já que sabemos o seu final. Mas como para
Cristo, é o resultado da diferença inevitável entre o que Deus e nós desejamos,
e o que o mundo recusa.

1 comentário:
Sempre Jesus connosco...sempre...sempre ,talvez mais quando a vida nos doi ...mas q sempre a agradecemos.
Hoje seder e despedidas.
Ate a volta se DEus quiser.
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