Mais que um herói, um Deus que se empenha
E também fui Eu que ouvi o gemido dos filhos de Israel, que os egípcios reduziram à servidão, e recordei-me da minha aliança
Do Livro do Êxodo Cap6 Vers5
No convento a oração da manhã é demasiado cedo para o meu
gosto. Basta dizer que, muito frequentemente, Deus tem de ouvir a minha queixa
quando o despertador toca. É o reverso da medalha: cada compromisso tem o seu
lote de contrariedades. Será portanto preciso resolvermo-nos a perder um pouco
da nossa liberdade a cada compromisso que assumimos?
Quando não nos comprometemos, somos senhores do que fazemos
e nada temos a esperar dos outros. Não dependemos senão de nós mesmos. Os
filhos de Israel, eles, presos na sua situação de escravos, queixaram-se. Eles
reconheceram-se dependentes de Deus. Eles afirmaram o futuro deles não poderia
ser escrito sem Ele. Fiel à sua aliança com os filhos de Israel, Deus
empenha-se em liberta-los.
O cego de Jericó vive também uma situação de dependência.
Ele entrega-se aos que o pretendem conduzir. Ouvindo Jesus passar, o cego ousa
interpela-Lo. Ao contrário do herói que guardaria invejosamente o seu poder,
Jesus coloca-se na posição de servidor. A este cego, filho de Israel ele
pergunta: «Que queres tu que eu faça por ti?- Que ou volte a ver”» (*). O
primeiro dos nossos compromissos não seria o de reconhecer que toda a vida
humana depende dAquele que no-la dá? Reconhecer-se dependente de Deus e não
apenas das nossas próprias forçam far-nos-ia ganhar a liberdade que ele se
compromete a dar-nos. E todos os nossos outros compromissos seriam então frutos
dessa liberdade.

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