"Não me vistam de preto: é triste e fúnebre.
Nem me vistam de branco porque é soberbo e retórico.
Vistam-me de flores amarelas e vermelhas e com asas de passarinho.
E Tu, Senhor, olhe minhas mãos.
Talvez tenham colocado um rosário, talvez uma cruz. Mas se enganaram.
Nas mãos tenho folhas verdes e sobre a cruz, a tua ressurreição.
E sobre minha tumba não coloquem mármore frio com as costumeiras mentiras para consolar os vivos.
Deixem que a terra escreva, na primavera, uma epígrafe de ervas.
Ali se dirá que vivi e que espero.
Então, Senhor, tu escreverás o teu nome e o meu,
unidos como duas pétalas de papoulas”.
Adriana Zarri
O seu poema epitáfio
2 comentários:
Lindo...
Perfeito... naa mouche... lindo...
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