*** Sanctus...Sanctus...Sanctus *** E é importante apoiar-se numa comunidade ,mesmo que seja virtual,porque entre aqueles e aquelas que a compõem,encontram-se os que estão nos tempos em que o dia vai ganhando, pouco a pouco, à noite. Irm.Silencio

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O PACTO DAS CATACUMBAS - QUEM CONHECE?

(SIMBOLISMO CRISTÃO NAS CATACUMBAS)
"Na verdade, trata-se de um documento firmado em 16.11.1965, por 40 Bispos da Igreja Católica Apostólica, nas catacumbas de Domitila, em Roma, no período da realização do Concílio Vaticano II, após celebrarem juntos a Eucaristia.

O Papa João XXIII, “il Papa buono”, como era conhecido pelo povo italiano, inaugurava a era de uma Igreja “servidora e pobre”, distanciada de pompa e da identificação com os ricos avarentos, na tentativa de eliminar por completo a noção de “Igreja triunfalista” deixada pelo Concílio de Trento.

O documento firmado contém treze itens de compromisso. Eis aqui:
I - Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção;

II - Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa;

III - Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, em nosso próprio nome; caso necessário, poremos tudo no nome da Diocese, ou das obras sociais ou caritativas;

IV - Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em nossa Diocese, a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos;

V - Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre;

VI - No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos);

VII - Evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social;

VIII - Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios, ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da Diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho;

IX - Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes;

X - Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus;

XI - Achando a colegialidade dos Bispos sua realização a mais evangélica na ascensão do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos: a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres; a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria;

XII - Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim: esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles; suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o Espírito, do que uns chefes segundo o mundo; procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores; mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião;

XIII - Tornados às nossas Dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces.


Os Bispos encerraram o compromisso alhures declarando: “ajude-nos Deus a sermos fiéis”."

Recolhido na página da Arquidiocese de S.Luís do Maranhão,Brasil - AQUI




S.Luís do Maranhão no Corpus Christi

4 comentários:

vp disse...

Quando estive em Roma este ano, uma das coisas que visitei foi as catacumbas... nada melhor que aquele lugar para tal pacto, pena é que ao sair da penumbra das catacumbas tenham-se ofuscado com a luz do dia e ficaram "cegos" essa cegueira que os não deixa ver o que assumiram como compromisso... n conhecia, mas é interessante... seria um rombo total na Igreja ... imagino, nada mais que o Evangelho vivo que ali está escrito...
Bom, esperamos em Deus, a nossa alma espera no Senhor...

Maria disse...

Calma aí,caro VP....estes bispos viveram ou ainda vivem o compromisso tomado.

Neles estão o bispo Pedro do Araguaia e D.Helder Câmara,por ex.

Os sinais de uma Igreja comprometida, até aos ossos, com os mais desvalidos são de não esquecer.

ladoalado disse...

Não conhecia este pacto e o texto, assim publicado, remete-nos para um caminho da Igreja de Cristo que, para alguns, parece ter sido (ou desejar ser) apagado do mapa...apetece mesmo enviá-lo para o blog "Padres Inquietos"...será que o conhecem??

Maria - Portugal disse...

Os padres inquietos andam quietos demais...talvez férias...continua lá o Ratz vestido à paisana...mas ainda não disseram quem é o outro.E o post já tem tempo.

Talvez aguardar a volta.

E o petiz já começa a ser dono do seu nariz?? rs

Faltam noticias da Aurora e do VS.